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segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Notas sobre o som de Robert Bresson

Tradução do texto de 1975 do diretor de Pickpocket

Visão e audição


Para saber qual é o negócio do som (ou da imagem).
- O que é para o olho não deve ser duplicado com o que é para o ouvido.
- Se o olho está totalmente conquistado, não dê nada ou quase nada ao ouvido (e vice-versa, se o ouvido está inteiramente conquistado, não dê nada ao olho). Ninguém pode ser, ao mesmo tempo, inteiramente olho e inteiramente ouvido.
- Quando um som pode substituir uma imagem, corte a imagem ou a neutralilze. O ouvido vai mais em direção ao interior, o olho, em direção ao exterior.
- Um som nunca deve vir em ajuda à imagem, nem uma imagem, em ajuda a um som.
- Se o som é complemento obrigatório de uma imagem, dê preponderância ao som ou à imagem. Se iguais, eles prejudicam ou matam um ao outro, como se diz sobre as cores.
- Imagem e som não deveriam nem devem apoiar um ao outro, mas devem trabalhar em turnos em uma espécie de revezamento.
- O olho solicitado solitariamente faz o ouvido impaciente, o ouvido solicitado solitariamente faz o ouvido impaciente. Use essas impaciências. Poder do cinematógrafo que apela aos sentidos em modos governáveis. Contra a tática da velocidade, do ruído, aplique a tática da lentidão, do silêncio.


original aqui!

Inception e o som

"Inception" Sound for Film Profile from Michael Coleman on Vimeo.

domingo, 24 de outubro de 2010

Vídeos sobre sound design (ou desenho de som)



Grande Walter Murch.

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Ben Burtt e Wall-E:
youtube 01

youtube 02

(incorporações desativadas)


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Ben Burtt e Guerra nas estrelas

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Making off básico, com "he is the best" essas coisas...

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Introdução bem básica com David Sonnenschein, na verdade é propaganda do livro dele. A Biblioteca Comunitária da UFSCar tem esse livro.

Advento do som no cinema

"O Cantor de Jazz", filme de 1927 estrelando Al Jolson, foi um choque. A imagem aprende a falar. Ou melhor: a cantar sincronizadamente, ainda que "má le má".
Inúmeras eram as tentativas de se ter uma imagem falante. O cinema silencioso procurou, além das já conhecidas orquestras e pianistas (com ou sem partituras específicas), narradores para comentar a imagem e dubladores atrás das telas para copiar a fala dos atores projetados.
O som de "O Cantor de Jazz" é em vitaphone, um método de sincronização mecânico, onde o som gravado em disco reproduzia de acordo com a imagem. Não era um simples gramofone tocando, pois a película perde frames e o gramofone não tem como acompanhar essa perda. Ainda com o método de sincronização, era impossível obter um sincronismo perfeito.
"O Cantor de Jazz" de Alan Crossland, não foi o primeiro. Antes teve "Don Juan", que parece não ter feito tanto sucesso. Pelo menos não tanto "O Cantor de Jazz". O filme tem como estrela Al Jolson, famoso e cativante cantor da época, o que deve ter alavancado o filme para o sucesso, além de sua linguagem híbrida entre o sonoro e o silencioso: no filme persistem as cartelas, a atuação e as expressões típicas do cinema silencioso. Um grande auge do filme é quando Jolson faz uma grande brincadeira de muito significado: depois de cantar uma música lenta e romântica, diz que o espectador "não ouviu nada ainda", e canta e dança "Toot, Toot, Tootsie" com uma performance memorável. A gravação tem grande qualidade pra época, onde um microfone deveria captar tudo sem edição.



O vitaphone, por ser mecânico e em disco, tinha problemas de chiado e de sincronismo ainda. Porém a disputa por público e busca por sucesso econômico dos Estúdios tiveram grande importância na procura de novas tecnologias para o cinema sonoro, como o Movietone da 20th. Century de 1931, onde o som era óptico.


Claro que muitas dificuldades apareceram nessa época. A diversificação de tecnologias atrapalhava a formação do corpo técnico de som, que só pelo som/áudio ser um aspecto novo já acarretava em poucas pessoas com formação ou conhecimento técnico. Além disso, o tamanho e o peso do equipamento dificultava as gravações, junto com o ruído dos estúdios - acostumados em gravar vários filmes ao mesmo tempo. O arredor influencia e toma conta da filmagem através do som. Há também uma transformação da linguagem sonora, que vai se apurando. Além da própria atuação dos atores de cinema silencioso teria que ser diferente para não haver tanta dramaticidade e redundância; a edição de som torna-se possível apenas anos depois; o problema das salas de exibição compatíveis... Os dois vídeos abaixo, do filme Cantando na Chuva, exemplificam esses problemas:

Filmando o "Duelling Cavalier"
Exibição do "Duelling Cavalier"
(a incorporação desses vídeos está desativada.)

Star Tracks

Dedico para o pessoal que se encantou com esse curta no sábado.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Análise Técnica de som para vídeo/cinema



Som direto e todas as funções do som para cinema, como já discorrido brevemente aqui, é puro controle. Precisa-se controlar a paisagem sonora incontrolável! Todos os sons dos arredores, que não pertencem à diegese ou simplesmente atrapalham precisam ser amenizados para a melhor fruição do filme pelo espectador. Mesmo que a proposta da realização não peça tal fruição, o som tem que parecer inteligível e o mais limpo possível no set de filmagem para depois 'sujá-lo' - tendo mais controle sobre a linguagem.

A análise técnica é a definição dos equipamentos sonoros e acessórios que serão usados em cada sequência ou locação.

E para que a análise técnica?
A análise técnica, por ser um planejamento e um momento de reflexão do que precisa ser feito, ajuda o planejamento e a estratégia de som direto, e expõe as dificuldades. Além disso, a necessária organização dos custos pelo produtor também entra na utilidade.

É, ou deveria ser, consentimento geral de que muitas vezes um trabalho que duraria cinco minutos no set de filmagem poderia durar uns cinco dias para a equipe de pós-produção de som - isso se não requerer um custo a mais de dublagem. Por exemplo um caminhão passando, carros de som na redondeza, apresentação da aeronáutica, um carro cênico ligado (quando poderia estar desligado), ou mesmo problemas de dicção. Lembrando sempre que a pós-produção custa mais do que o que rola no set de filmagem - a hora de estúdio é cara e dependendo da situação necessita-se de muitas horas para um bom resultado. 

A estratégia mais difícil para muitos pode ser um equipamento que condiz com o orçamento. Nesse caso a equipe de som direto deve expor as dificuldades que esse equipamento reduzido trará - por exemplo trabalhar só com microfone shotgun.

Além de tudo, também é útil saber das condições adversas que a equipe enfrentará. Gravará o crocodilo lutando com o caçador? Vai se movimentar muito? É documentário? Se sim, quais os locais de gravação? São entrevistas marcadas ou será um esquema de selecionar pessoas para entrevista-surpresa? Esse lugar chove, úmido, ou venta? Como é a locação? Como você vai se localizar no set, durante a filmagem?

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Música e Mídia - Complementar

Aqui estão uns vídeos complementares que servem de exemplo e complemento para a a apresentação do 6o. Música e Mídia, referente ao trabalho "Pare, olhe e escute - a transformação da paisagem sonora urbana e sua relação com as mídias sonoras portáteis"

Tentei comentar sobre a transformação da paisagem sonora urbana no século XX, traçando um paralelo das teorias de som em cinema (como temos Chion, Lastra, Rick Altman, Walter Murch, e muitos outros teóricos e realizadores) e a individualização e desterritorialização da escuta.


Aqui, em Poderoso Chefão, o conflito do personagem de Al Pacino é demonstrado através de um som não realista de um trem.




Psicose, com a trilha de Bernard Herrmann que tomou as ruas com toques de celular. Também é exemplo, de como trilhas cinematográficas fazem parte do nosso dia-a-dia e imaginário, o filme Tubarão. Lembrou da música?



Imagine isso sem som. Ou com outros efeitos sonoros.



Transformação de uma imagem através de uma música. Cortes de cenas.





Versões bem humoradas de Jacques Tati da cidade, seu movimento e seus ruídos.



É aquela qualidade sonora de youtube, mas serve para que veio. Recomendo os filmes!

Espero que vocês tenham gostado.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

sábado, 17 de julho de 2010

Imersão e apercepção

“Uma das funções sociais mais importantes do cinema é criar um equilíbrio entre o homem e a aparelho. O cinema não realiza essa tarefa apenas pelo modo com que o homem se representa diante do aparelho, mas pelo modo com que ele representa o mundo, graças a esse aparelho. Através dos seus grandes planos, de sua ênfase sobre pormenores ocultos dos objetos que nos são familiares, e de sua investigação dos ambientes mais vulgares sob a direção genial da objetiva, o cinema faz-nos vislumbrar, por um lado, os mil condicionamentos que determinam nossa existência, e por outro assegura-nos um grande e insuspeitado espaço de liberdade.” (BENJAMIN, 1996)
           
O assistir imagens em movimento acompanhadas por sons: uma caverna escura, com uma fonte de luz que reproduz em uma parede imagens em movimento do mundo exterior, que tem seus sons ecoados dentro da caverna, parecendo sair das próprias imagens. Para Arlindo Machado (1997), no mito da caverna de Platão, o mundo dentro da caverna não é um produto do mundo exterior de luzes, mas também um mundo construído e modificado pelos forjadores. Baudry (apud Machado 1997, 43) discorre que os efeitos ideológicos produzidos pelo aparato técnico da sala de cinema – o projetor, a sala escura e a tela – completa a mise en scène da caverna, com imersão do espectador ao mundo apresentado através das imagens na tela. Na sala de projeção as perturbações visuais e auditivas não provenientes do filme são atenuadas, colaborando para um isolamento do espectador. A fluidez do filme está nesse convite à imersão, para qual os sons têm grande importância.
Desde as primeiras projeções cinematográficas, notou-se necessária a ambientação sonora para melhor imersão do espectador na narrativa. Desde os primórdios do cinema havia o desejo e a tentativa de unir o som às imagens da tela: narradores, dublagem ao vivo atrás das telas, partituras específicas para serem tocadas junto a determinados filmes, dentre outros. A presença de sons referentes à imagem sempre foi requerida, também no cinema silencioso.
O som no audiovisual não deve ser entendido ou tratado somente como um acessório, mas também um membro que faz parte de um todo orgânico e responsivo. O sonoro também traz “uma nova dimensão da imagem visual, um novo componente”, o som faz ver na imagem algo que não surge livremente (DELEUZE, 2007. p. 269.). Variadas formas de construção sonora conseguem levar informações importantes ao espectador, não somente através da maneira clara do diálogo, mas também através de outros elementos sonoros. Os componentes sonoros de uma trilha sonora podem ser divididos em ambiências, falas, ruídos, efeitos e música, e podem ser mais ou menos distinguidos entre uns e os outros. Todos os componentes sonoros são misturados, onde um é controlado pelo outro, formando a ilusão de unidade sonora. Todos esses elementos podem ser independentes entre si, suprirem-se ou se transformarem (DELEUZE, 2007): e a parceria com a imagem ganha vários sentidos conforme o momento.

BENJAMIN, Walter. “A obra de arte na época de sua reprodutibilidade técnica”. A Idéia do Cinema. (José Lino Grünnewald, org.) Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1996. Texto originalmente publicado em 1955.


DELEUZE, Gilles. A imagem-tempo. São Paulo: Editora Brasiliense, 2007.
MACHADO, Arlindo. Pré-cinemas e Pós-cinemas. 1ª edição. Coleção Campo Imagético. Campinas: Editora Papirus, 1997.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Era uma vez uma estréia

Depois de um longo (porém apertado) processo, a estréia fica a algumas horas.
Fiz o som direto e a edição de som do Ocos!, direção do Pedro Garrafa. Se o som direto colocava vários 'sons atrás da orelha', a edição colocava uma paisagem sonora inteira!


A edição foi realizada da maneira mais rápida e eficiente o possível. Deixei para atrás alguns perfeccionismos, pois isso demandava tempo. Percebi depois que muitas coisas não eram 'perfeccionismos'.
O curta foi exibido no auditório do Centro Britânico no Brasil, em Pinheiros - bairro de São Paulo. Não houve tempo de eu conseguir algum outro estúdio para escutar o som, e isso me fez passar muita ansiedade. Ouvir o que se faz em outros lugares é sempre necessário, para que não ocorram surpresas.

Na estréia ocorreu tudo bem, com uma projeção em DVD. Alguns ruídos e alguns defeitos que não me agradavam na minha ilha de edição de som nem sequer deram as caras. Porém percebi que ainda tenho o mal da dinâmica de volumes - não pela falta, mas pelo excesso.

Em meu antigo emprego trabalhávamos mais com cinema, o que permite uma dinâmica de volumes maior. Creio também que pela minha formação eu procure essas camadas de intensidade, com o medo de criar uma imensa parede chapada de sons, mas ainda tenho que treinar a dinâmica para DVD.

Passei a automação de volume várias vezes, até que me lembrei do 'fator DVD'... decidi então ouvir tudo novamente com um volume de reprodução mais baixo, para aumentar a intensidade de algumas coisas e fechar mais essa perspectiva. Muitas coisas que eu fiz também invadiam a fronteira da mixagem, mas foi preciso - já que não haveria um processo posterior (mundo do baixo orçamento).

Não ficou do jeito que eu desejava. Mas acho que nunca fica.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Controle do som no audiovisual

Quando o som no audiovisual sai do controle, tanto quanto na captação quanto na reprodução, podemos ter um técnico de som demitido. Um exemplo (quase) clássico de um erro foi um caso de dezembro de 2009, que o som do microfone de certo jornalista "vazou" e foi ao ar. Ou um exemplo simples, quando em uma captação de som para um filme um carro passa buzinando quando o ator fala uma frase.


Novamente trazendo a questão das características sonoras, os sons estão presentes e se difundem: um som não desejado pode atrapalhar outro que é desejado, não importa o direcionamento do microfone. Já na imagem, o enquadramento da câmera toma conta do recorte. Por isso o espaço acusticamente planejado de um estúdio e das mantas e tecidos  para captação de som direto.

A questão do controle no som direto e na pós-produção de som é importantíssima para o resultado final ficar bom, ou minimamente aceitável - visto que uma fala ininteligível (dentre muitas outras coisas relativas ao som) pode despertar o espectador, retirando-o do filme.

 O som deve ser captado o mais claro possível para chegar na pós e as ambiências e efeitos adicionados darem maior espacialização do lugar e terem sua intensidade controlada. É também na edição de som que os planos ganham sequência temporal, os cortes da montagem são ressaltados ou escondidos - tudo para dar impressão de uma unidade do filme ou vídeo, organizados em planos pela decupagem, gravados em uma sequência específica. E é também o controle da intensidade de volume, reverberação e outros efeitos que fazem a obra ter uma estrutura audiovisual - de acordo com a proposta estética da realização como um todo.

Esse controle não acontece no dia-a-dia. A linguagem audiovisual pede esse controle para que ocorra a imersão do espectador; e também não podemos 'mixar' o mundo.