Um texto muito bom = muitas ideias novas a desenvolver.
Som, feedback e interação
http://www.garthpaine.com/papers/files/artistic-context-caiia03.pdf
Interactive, Responsive Sound Environments - A Broader Artistic Context
Dr Garth Paine
Music, technology and Innovation
De Montfort University UK
Abstract:
Interactive systems offer a unique method of engagement, based on a response – response exchange. They offer the promise of a truly immerses experience.
This paper will look at the development of artistic practice in the twentieth century, and it’s associated focus on individual expression. It will do so as a way of looking at the development of the interactive ideal.
In drawing a conceptual framework for interaction, it will also draw on the study of Cybernetics, particularly, the causal loop, drawing parallels between the interdependent nature of the causal loop, and the relationships developed in an interactive system.
Finally, I put forward a personal observation on how explicit the role of the technology should be in the users experience of engagement with the interactive system. This collection of musings represents an exploration of the many facets of interaction, especially within an interactive, immersive environment, with the view to establishing an interdisciplinary context for personal engagement and experience, and some conceptual starting points for thinking about interactive sound works beyond the confines of “music” per se.
Experiências pessoais, pesquisas acadêmicas, diário de produções. Tudo que parece ser um pouco distante, ainda mais sobre som, áudio, paisagem sonora - controlada ou não.
sexta-feira, 28 de maio de 2010
quarta-feira, 26 de maio de 2010
Imaginary Landscape no. 5
Uma composição-recortes, em que o compositor entrega uma 'obra pronta' pra ser recortada por quem quiser, e tampouco precisa de músicos.
http://www.youtube.com/watch?v=C8b5epOonI8
http://www.youtube.com/watch?v=C8b5epOonI8
quinta-feira, 20 de maio de 2010
Encucações: interações com a paisagem sonora
A paisagem sonora (talvez descartando rádio, música entre outras coisas) parece ter um muro que impossibilita uma interação das pessoas com o ambiente através dela.
Há tempos penso sobre a questão de uma interação sonora: um grupo de pessoas interagindo e modificando o ambiente, que responde algo às pessoas, obtendo uma circularidade e feedback - com um olhar cibernético (essa questão vai ter que ficar para uma outra hora....)
O FILE 2009 não sai da minha cabeça, junto ao Primal Source do Usman Haque. O que eles têm em comum? O Festival de 2009 apresentou várias instalações que faziam as pessoas mudarem de comportamento, para agir sobre a obra. Esta por sua vez, respondia e estimulava uma nova acão das pessoas, estabelecendo um ciclo. Por exemplo o Capacitive Body, dos alemães Andreas Muxel e Martin Hesselmeier.
O Capacitive Body era uns fios 'eletro luminescentes' que respondiam aos sons emitindo luz, que passeava pelos fios. Como o Festival foi realizado no SESI da Av. Paulista, em São Paulo, ele foi colocado estrategicamente na frente do prédio, separado da calçada e da rua por um vidro.
Os carros passavam e os fios acompanhavam o movimento sonoro. E as pessoas iam até lá, gritavam e batiam palmas esperando os fios responderem.
Outros, pro delírio das crianças e desespero dos monitores, faziam sons quando estimulados por alguém. Refiro-me especificamente a uma obra que infelizmente esqueci o nome e não consegui encontrar (ajuda?) mas era uma circunferência sensível ao toque das pessoas, que emitia sons, e podia-se até mesmo produzir uma música eletrônica.
Será que a interação com o espaço através dos sons encontra seu espaço lúdico só em instalações e obras de arte?
Será que não saímos do nosso cotidiano sonoro se não formos estimulados?
Como fazer alguma coisa fora da estrutura do que já foi feito?
terça-feira, 18 de maio de 2010
Sala de Audición
http://www.coleccionfb.com/sala_audicion.htm
Esse site tem como ouvir reproduções de vários tipos de fonografos, gramofones, vitrolas, etc.
Sim, há toda a problemática do "digital x analógico", "qualidade x formato de arquivo", "audição x gravação x reprodução" e tudo mais... mesmo assim vale a pena conferir.
Esse site tem como ouvir reproduções de vários tipos de fonografos, gramofones, vitrolas, etc.
Sim, há toda a problemática do "digital x analógico", "qualidade x formato de arquivo", "audição x gravação x reprodução" e tudo mais... mesmo assim vale a pena conferir.
Pesquisando arquiteturando
O processo de pesquisa até agora sobre o Primal Source, de Usman Haque, ainda está com amarras.
Pode-se culpar sempre o tempo, mas o problema não parece ser somente esse. Quem nunca teve a impressão de que tudo está na 'ponta da língua' e mesmo assim a dificuldade de passar para a escrita persiste com um gigantismo assustador?
Ah, tal oralidade....
http://vimeo.com/1378892
http://www.interactivearchitecture.org/primal-source-usman-haque.html
Pode-se culpar sempre o tempo, mas o problema não parece ser somente esse. Quem nunca teve a impressão de que tudo está na 'ponta da língua' e mesmo assim a dificuldade de passar para a escrita persiste com um gigantismo assustador?
Ah, tal oralidade....
http://vimeo.com/1378892
http://www.interactivearchitecture.org/primal-source-usman-haque.html
sábado, 8 de maio de 2010
Escutas - breve resumo introdutório
O som do cotidiano está repleto de riquezas. Utilizando a escuta reduzida consegue-se pensar mais em seus aspectos.
Michel Chion, em Audio-vision: sound on screen, discorre sobre os tipos de escuta citando Schaeffer:
- Escuta causal: quando descobrimos o que é a fonte sonora e de onde vem.
- Escuta semântica: relativa aos signos, da fala.
- Escuta reduzida: descobrir se um som é intenso ou não, tem corpo ou não, brilhante ou não, reverberado ou não, ácido, hostil, sóbrio, estridente, simbilante, estridulante...
A escuta reduzida dá características aos sons. E isso é uma tarefa muito difícil.
Por que o som do meu passo é diferente do seu? Por que o freezer tem um som diferente de um computador antigo?
Lembrando aqui que uma escuta não exclui a outra. Você pode perceber uma voz ardida, aguda e agonizante, que a TV da sala está reproduzindo, de uma atriz falando "Não me deixe!".
Um exercício sempre é muito bem-vindo para praticar a escuta reduzida. Durante 30 segundos de seu dia, em qualquer lugar, perceba a mudança de texturas, de como o ambiente sonoro se arranja, imagine desenhos representativos para cada som.
Por que desenhos representativos? Estamos muito atrelados à imagem. É mais fácil desenhar como um som se comporta do que descrevê-lo com palavras. Semânticamente.
Michel Chion, em Audio-vision: sound on screen, discorre sobre os tipos de escuta citando Schaeffer:
- Escuta causal: quando descobrimos o que é a fonte sonora e de onde vem.
- Escuta semântica: relativa aos signos, da fala.
- Escuta reduzida: descobrir se um som é intenso ou não, tem corpo ou não, brilhante ou não, reverberado ou não, ácido, hostil, sóbrio, estridente, simbilante, estridulante...
A escuta reduzida dá características aos sons. E isso é uma tarefa muito difícil.
Por que o som do meu passo é diferente do seu? Por que o freezer tem um som diferente de um computador antigo?
Lembrando aqui que uma escuta não exclui a outra. Você pode perceber uma voz ardida, aguda e agonizante, que a TV da sala está reproduzindo, de uma atriz falando "Não me deixe!".
Um exercício sempre é muito bem-vindo para praticar a escuta reduzida. Durante 30 segundos de seu dia, em qualquer lugar, perceba a mudança de texturas, de como o ambiente sonoro se arranja, imagine desenhos representativos para cada som.
Por que desenhos representativos? Estamos muito atrelados à imagem. É mais fácil desenhar como um som se comporta do que descrevê-lo com palavras. Semânticamente.
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Cinco dedos soberanos dificultam a respiracão
Marshall McLuhan - 1955
A cidade já não existe mais, salvo como espectro cultural para turistas. Qualquer botequim à beira da estrada, com seu aparelho de televisão, jornal e revista, é tão cosmopolita quanto Nova York ou Paris.
O camponês sempre foi um parasita suburbano. O agricultor já não existe; hoje, é um homem da “cidade”.
A metrópole, hoje em dia, é uma sala de aula; os anúncios são seus mestres. A sala de aula é uma obsoleta casa de reclusão, uma masmorra feudal.
A metrópole é obsoleta. Perguntem ao Exército.
A cobertura global instantânea do rádio e da televisão torna a forma citadina insignificante e despida de função. Outrora, as cidades estavam relacionadas com as realidades da produção e da intercomunicação. Agora não.
Até a escrita ser inventada, vivíamos no espaço acústico, onde os esquimós atualmente vivem: sem limites, sem direção, sem horizonte, a escuridão, a intuição primordial, o terror. A fala é um mapa social desse pântano sombrio.
A fala estrutura o abismo do espaço acústico e mental, ocultando a raça; é uma arquitetura cósmica e invisível das trevas humanas. Fala para que eu te veja.
A escrita lançava o projetor sobre a escura e alta montanha da fala; a escrita era a visualização do espaço acústico. Iluminava a escuridão.
Esses cinco reis levaram um rei à morte.
Uma pena de pato pôs fim à fala, aboliu o mistério, criou arquiteturas e cidades, gerou estradas e exércitos, burocracias. Foi a metáfora básica com que se iniciou o ciclo da civilização, o passo com que se saiu das trevas para entrar na luz da mente. A mão que encheu um papel construiu uma cidade.
A escrita a mão está nas paredes de celulóide de Hollywood; a Idade da Escrita passou. Temos de inventar uma nova metáfora, reestruturar os nossos pensamentos e sentimentos. As novas comunicações não são pontes entre o homem e a natureza: são a natureza.
A mecanização da escrita mecanizou a metáfora audiovisual em que toda a civilização assenta; criou a sala de aula e a educação das massas, a imprensa moderna e o telégrafo. Foi a linha de montagem original.
Gutenberg tornou toda a História simultânea: o livro transportável trouxe o mundo dos mortos para o espaço da biblioteca da um cavalheiro; o telégrafo trouxe o mundo inteiro dos vivos para a mesa do pequeno almoço do operário.
A fotografia foi a mecanização da pintura em perspectiva e do olho parado; derrubou as barreira do espaço nacionalista, vernáculo, criado pela impressão. A impressão alterou o equilíbrio da fala oral e escrita; a fotografia alterou o equilíbrio do ouvido e do olho.
Telefone, gramofone e rádio são as mecanizações do espaço acústico pós-letrado. O rádio leva-nos da volta às trevas da mente, às invasões de Marte e Orson Welles; mecaniza o poço de solidão que é o espaço acústico: o palpitar do coração humano aplicado a um sistema PA fornece um poço de solidão em que qualquer um pode afogar-se.
O cinema e a televisão completam o ciclo de mecanização do sensório humano. Com o ouvido onipresente e o olho móvel, abolimos a escrita, a metáfora audiovisual especializada que estabeleceu a mecânica da civilização ocidental.
Ao ultrapassarmos a escrita, recuperamos a nossa totalidade, não num plano nacional ou cultural, mas cósmico. Evocamos um homem supercivilizado, subprimitivo.
Ninguém conhece ainda a linguagem inerente à nova cultura tecnológica; somos todos cegos e surdos-mudos, em termos da nova situação. As nossas palavras e nossos pensamentos mais impressionantes atraiçoam-nos ao referirem-se ao nosso previamente existente, não ao atual.
Estamos de volta ao espaço acústico. Começamos de novo a estruturar os sentimentos e as emoções primordiais, de que 3000 anos de letras nos divorciaram.
As mãos não tem lágrimas para derramar.
Era uma vez uma estréia
Depois de um longo (porém apertado) processo, a estréia fica a algumas horas.
Fiz o som direto e a edição de som do Ocos!, direção do Pedro Garrafa. Se o som direto colocava vários 'sons atrás da orelha', a edição colocava uma paisagem sonora inteira!
A edição foi realizada da maneira mais rápida e eficiente o possível. Deixei para atrás alguns perfeccionismos, pois isso demandava tempo. Percebi depois que muitas coisas não eram 'perfeccionismos'.
O curta foi exibido no auditório do Centro Britânico no Brasil, em Pinheiros - bairro de São Paulo. Não houve tempo de eu conseguir algum outro estúdio para escutar o som, e isso me fez passar muita ansiedade. Ouvir o que se faz em outros lugares é sempre necessário, para que não ocorram surpresas.
Na estréia ocorreu tudo bem, com uma projeção em DVD. Alguns ruídos e alguns defeitos que não me agradavam na minha ilha de edição de som nem sequer deram as caras. Porém percebi que ainda tenho o mal da dinâmica de volumes - não pela falta, mas pelo excesso.
Em meu antigo emprego trabalhávamos mais com cinema, o que permite uma dinâmica de volumes maior. Creio também que pela minha formação eu procure essas camadas de intensidade, com o medo de criar uma imensa parede chapada de sons, mas ainda tenho que treinar a dinâmica para DVD.
Passei a automação de volume várias vezes, até que me lembrei do 'fator DVD'... decidi então ouvir tudo novamente com um volume de reprodução mais baixo, para aumentar a intensidade de algumas coisas e fechar mais essa perspectiva. Muitas coisas que eu fiz também invadiam a fronteira da mixagem, mas foi preciso - já que não haveria um processo posterior (mundo do baixo orçamento).
Não ficou do jeito que eu desejava. Mas acho que nunca fica.
Fiz o som direto e a edição de som do Ocos!, direção do Pedro Garrafa. Se o som direto colocava vários 'sons atrás da orelha', a edição colocava uma paisagem sonora inteira!
A edição foi realizada da maneira mais rápida e eficiente o possível. Deixei para atrás alguns perfeccionismos, pois isso demandava tempo. Percebi depois que muitas coisas não eram 'perfeccionismos'.
O curta foi exibido no auditório do Centro Britânico no Brasil, em Pinheiros - bairro de São Paulo. Não houve tempo de eu conseguir algum outro estúdio para escutar o som, e isso me fez passar muita ansiedade. Ouvir o que se faz em outros lugares é sempre necessário, para que não ocorram surpresas.
Na estréia ocorreu tudo bem, com uma projeção em DVD. Alguns ruídos e alguns defeitos que não me agradavam na minha ilha de edição de som nem sequer deram as caras. Porém percebi que ainda tenho o mal da dinâmica de volumes - não pela falta, mas pelo excesso.
Em meu antigo emprego trabalhávamos mais com cinema, o que permite uma dinâmica de volumes maior. Creio também que pela minha formação eu procure essas camadas de intensidade, com o medo de criar uma imensa parede chapada de sons, mas ainda tenho que treinar a dinâmica para DVD.
Passei a automação de volume várias vezes, até que me lembrei do 'fator DVD'... decidi então ouvir tudo novamente com um volume de reprodução mais baixo, para aumentar a intensidade de algumas coisas e fechar mais essa perspectiva. Muitas coisas que eu fiz também invadiam a fronteira da mixagem, mas foi preciso - já que não haveria um processo posterior (mundo do baixo orçamento).
Não ficou do jeito que eu desejava. Mas acho que nunca fica.
sexta-feira, 30 de abril de 2010
Controle do som no audiovisual
Quando o som no audiovisual sai do controle, tanto quanto na captação quanto na reprodução, podemos ter um técnico de som demitido. Um exemplo (quase) clássico de um erro foi um caso de dezembro de 2009, que o som do microfone de certo jornalista "vazou" e foi ao ar. Ou um exemplo simples, quando em uma captação de som para um filme um carro passa buzinando quando o ator fala uma frase.

Novamente trazendo a questão das características sonoras, os sons estão presentes e se difundem: um som não desejado pode atrapalhar outro que é desejado, não importa o direcionamento do microfone. Já na imagem, o enquadramento da câmera toma conta do recorte. Por isso o espaço acusticamente planejado de um estúdio e das mantas e tecidos para captação de som direto.
A questão do controle no som direto e na pós-produção de som é importantíssima para o resultado final ficar bom, ou minimamente aceitável - visto que uma fala ininteligível (dentre muitas outras coisas relativas ao som) pode despertar o espectador, retirando-o do filme.
O som deve ser captado o mais claro possível para chegar na pós e as ambiências e efeitos adicionados darem maior espacialização do lugar e terem sua intensidade controlada. É também na edição de som que os planos ganham sequência temporal, os cortes da montagem são ressaltados ou escondidos - tudo para dar impressão de uma unidade do filme ou vídeo, organizados em planos pela decupagem, gravados em uma sequência específica. E é também o controle da intensidade de volume, reverberação e outros efeitos que fazem a obra ter uma estrutura audiovisual - de acordo com a proposta estética da realização como um todo.
Esse controle não acontece no dia-a-dia. A linguagem audiovisual pede esse controle para que ocorra a imersão do espectador; e também não podemos 'mixar' o mundo.

Novamente trazendo a questão das características sonoras, os sons estão presentes e se difundem: um som não desejado pode atrapalhar outro que é desejado, não importa o direcionamento do microfone. Já na imagem, o enquadramento da câmera toma conta do recorte. Por isso o espaço acusticamente planejado de um estúdio e das mantas e tecidos para captação de som direto.
A questão do controle no som direto e na pós-produção de som é importantíssima para o resultado final ficar bom, ou minimamente aceitável - visto que uma fala ininteligível (dentre muitas outras coisas relativas ao som) pode despertar o espectador, retirando-o do filme.
O som deve ser captado o mais claro possível para chegar na pós e as ambiências e efeitos adicionados darem maior espacialização do lugar e terem sua intensidade controlada. É também na edição de som que os planos ganham sequência temporal, os cortes da montagem são ressaltados ou escondidos - tudo para dar impressão de uma unidade do filme ou vídeo, organizados em planos pela decupagem, gravados em uma sequência específica. E é também o controle da intensidade de volume, reverberação e outros efeitos que fazem a obra ter uma estrutura audiovisual - de acordo com a proposta estética da realização como um todo.
Esse controle não acontece no dia-a-dia. A linguagem audiovisual pede esse controle para que ocorra a imersão do espectador; e também não podemos 'mixar' o mundo.
quinta-feira, 29 de abril de 2010
Wally do som
Murray Schafer, em seu livro A afinação do mundo, discorre:
"A paisagem sonora é qualquer campo de estudo acústico. Podemos referir-nos a uma composição musical, a um programa de rádio ou mesmo a um ambiente acústico como paisagens sonoras. Podemos isolar um ambiente acústico como um campo de estudo, do mesmo modo que podemos estudar as características de uma determinada paisagem. Todavia, formular uma impressão exata de uma paisagem sonora é mais difícil do que a de uma paisagem visual." (p. 23)
No século XX, a quebra de paradigmas do pensamento ocidental nos traz a ideia de que o humano faz parte de seu meio, como receptor e como agente, assim como o meio faz parte do humano. As fronteiras da objetividade, à partir desse pensamento, são diluídas. O pensamento sobre a apreciação sonora e a atuação sobre a paisagem sonora também transforma-se. Não somos apenas ouvintes, mas também somos "sonoros" mesmo sem instrumentos musicais - o ouvinte também faz parte da paisagem sonora, podendo personalizá-la à seu gosto com fones de ouvido e mídias sonoras portáteis, e/ou complemetando-a com sons despretensiosos de seu movimento, veículos, dentre outros.
Pela própria natureza da difusão sonora, o espaço físico também age sobre o som: temos efeitos de reverberação próprios de cada local, por exemplo.
Em O ouvido pensante, Schafer relata um caso: John Cage quando entrou em uma câmara anecóica (projetada especialmente para 'não ser sonora') reportou ao engenheiro responsável que ouvia um som agudo e outro grave. O engenheiro respondeu que o agudo era seu sistema nervoso e o grave o seu sangue circulando. Conclusão: não há o silêncio absoluto.
Alguns relatam, inclusive, que silêncio é um "som bem fraco". De acordo com essa linha de pensamento, temos que o silêncio como ausência de som não existe e, portanto, a paisagem sonora sempre está presente - por mais difícil de achá-la.
segunda-feira, 19 de abril de 2010
Pavilhão da Philips
Poème életronique 1958
http://www.youtube.com/watch?v=QBQsym_G82Q
Querer exibir o potencial dos produtos de uma empresa também pode render bons frutos.
http://www.youtube.com/watch?v=QBQsym_G82Q
Querer exibir o potencial dos produtos de uma empresa também pode render bons frutos.
sábado, 17 de abril de 2010
Som/Música - o significado lúdico da escuta
Como um violino é musical?
Como a paisagem sonora à nossa volta não pode ser?
O que caracteriza uma orquestra?
Por que uma banheira, uma panela de pressão, um patinho e borracha e uns cinco rádios não são uma orquestra?
O que define que um som tenha altura definida? O que é altura definida, sendo um objeto sonoro (considerado usualmente como não musical) capaz de reproduzir uma frequência principal de 1.286Hz?
Uma música feita somente com frequências puras é música?
Uma nova compreensão sonora da escuta veio à tona. Ainda não foi absorvida.
Uma música é feita pra ser agradável? Ou pode ser feita para evocar uma contestação ou pensamento? Ou até mesmo para quebrar alguma fronteira? Daí ela deixa de ser música?
A procura da aura do compositor e a afirmação de que não apreciamos a música corretamente são ideias conservadoras?
Por que temos que ter fórmulas matemáticas na música para que ela se torne especial a um ouvinte?
Performance e reprodução. Situação de escuta. Evento sonoro.
Audição como experiência cultural.
Isso é música para meus ouvidos.
Quando ficamos adultos esquecemos do aspecto lúdico de um helicóptero sobrevoando ou de um grilo cantando?
... será que havia crise do pensamento há 300 anos atrás?
Como a paisagem sonora à nossa volta não pode ser?
O que caracteriza uma orquestra?
Por que uma banheira, uma panela de pressão, um patinho e borracha e uns cinco rádios não são uma orquestra?
O que define que um som tenha altura definida? O que é altura definida, sendo um objeto sonoro (considerado usualmente como não musical) capaz de reproduzir uma frequência principal de 1.286Hz?
Uma música feita somente com frequências puras é música?
Uma nova compreensão sonora da escuta veio à tona. Ainda não foi absorvida.
Uma música é feita pra ser agradável? Ou pode ser feita para evocar uma contestação ou pensamento? Ou até mesmo para quebrar alguma fronteira? Daí ela deixa de ser música?
A procura da aura do compositor e a afirmação de que não apreciamos a música corretamente são ideias conservadoras?
Por que temos que ter fórmulas matemáticas na música para que ela se torne especial a um ouvinte?
Performance e reprodução. Situação de escuta. Evento sonoro.
Audição como experiência cultural.
Isso é música para meus ouvidos.
Quando ficamos adultos esquecemos do aspecto lúdico de um helicóptero sobrevoando ou de um grilo cantando?
... será que havia crise do pensamento há 300 anos atrás?
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