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sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Análise Técnica de som para vídeo/cinema



Som direto e todas as funções do som para cinema, como já discorrido brevemente aqui, é puro controle. Precisa-se controlar a paisagem sonora incontrolável! Todos os sons dos arredores, que não pertencem à diegese ou simplesmente atrapalham precisam ser amenizados para a melhor fruição do filme pelo espectador. Mesmo que a proposta da realização não peça tal fruição, o som tem que parecer inteligível e o mais limpo possível no set de filmagem para depois 'sujá-lo' - tendo mais controle sobre a linguagem.

A análise técnica é a definição dos equipamentos sonoros e acessórios que serão usados em cada sequência ou locação.

E para que a análise técnica?
A análise técnica, por ser um planejamento e um momento de reflexão do que precisa ser feito, ajuda o planejamento e a estratégia de som direto, e expõe as dificuldades. Além disso, a necessária organização dos custos pelo produtor também entra na utilidade.

É, ou deveria ser, consentimento geral de que muitas vezes um trabalho que duraria cinco minutos no set de filmagem poderia durar uns cinco dias para a equipe de pós-produção de som - isso se não requerer um custo a mais de dublagem. Por exemplo um caminhão passando, carros de som na redondeza, apresentação da aeronáutica, um carro cênico ligado (quando poderia estar desligado), ou mesmo problemas de dicção. Lembrando sempre que a pós-produção custa mais do que o que rola no set de filmagem - a hora de estúdio é cara e dependendo da situação necessita-se de muitas horas para um bom resultado. 

A estratégia mais difícil para muitos pode ser um equipamento que condiz com o orçamento. Nesse caso a equipe de som direto deve expor as dificuldades que esse equipamento reduzido trará - por exemplo trabalhar só com microfone shotgun.

Além de tudo, também é útil saber das condições adversas que a equipe enfrentará. Gravará o crocodilo lutando com o caçador? Vai se movimentar muito? É documentário? Se sim, quais os locais de gravação? São entrevistas marcadas ou será um esquema de selecionar pessoas para entrevista-surpresa? Esse lugar chove, úmido, ou venta? Como é a locação? Como você vai se localizar no set, durante a filmagem?

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Era uma vez uma estréia

Depois de um longo (porém apertado) processo, a estréia fica a algumas horas.
Fiz o som direto e a edição de som do Ocos!, direção do Pedro Garrafa. Se o som direto colocava vários 'sons atrás da orelha', a edição colocava uma paisagem sonora inteira!


A edição foi realizada da maneira mais rápida e eficiente o possível. Deixei para atrás alguns perfeccionismos, pois isso demandava tempo. Percebi depois que muitas coisas não eram 'perfeccionismos'.
O curta foi exibido no auditório do Centro Britânico no Brasil, em Pinheiros - bairro de São Paulo. Não houve tempo de eu conseguir algum outro estúdio para escutar o som, e isso me fez passar muita ansiedade. Ouvir o que se faz em outros lugares é sempre necessário, para que não ocorram surpresas.

Na estréia ocorreu tudo bem, com uma projeção em DVD. Alguns ruídos e alguns defeitos que não me agradavam na minha ilha de edição de som nem sequer deram as caras. Porém percebi que ainda tenho o mal da dinâmica de volumes - não pela falta, mas pelo excesso.

Em meu antigo emprego trabalhávamos mais com cinema, o que permite uma dinâmica de volumes maior. Creio também que pela minha formação eu procure essas camadas de intensidade, com o medo de criar uma imensa parede chapada de sons, mas ainda tenho que treinar a dinâmica para DVD.

Passei a automação de volume várias vezes, até que me lembrei do 'fator DVD'... decidi então ouvir tudo novamente com um volume de reprodução mais baixo, para aumentar a intensidade de algumas coisas e fechar mais essa perspectiva. Muitas coisas que eu fiz também invadiam a fronteira da mixagem, mas foi preciso - já que não haveria um processo posterior (mundo do baixo orçamento).

Não ficou do jeito que eu desejava. Mas acho que nunca fica.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Controle do som no audiovisual

Quando o som no audiovisual sai do controle, tanto quanto na captação quanto na reprodução, podemos ter um técnico de som demitido. Um exemplo (quase) clássico de um erro foi um caso de dezembro de 2009, que o som do microfone de certo jornalista "vazou" e foi ao ar. Ou um exemplo simples, quando em uma captação de som para um filme um carro passa buzinando quando o ator fala uma frase.


Novamente trazendo a questão das características sonoras, os sons estão presentes e se difundem: um som não desejado pode atrapalhar outro que é desejado, não importa o direcionamento do microfone. Já na imagem, o enquadramento da câmera toma conta do recorte. Por isso o espaço acusticamente planejado de um estúdio e das mantas e tecidos  para captação de som direto.

A questão do controle no som direto e na pós-produção de som é importantíssima para o resultado final ficar bom, ou minimamente aceitável - visto que uma fala ininteligível (dentre muitas outras coisas relativas ao som) pode despertar o espectador, retirando-o do filme.

 O som deve ser captado o mais claro possível para chegar na pós e as ambiências e efeitos adicionados darem maior espacialização do lugar e terem sua intensidade controlada. É também na edição de som que os planos ganham sequência temporal, os cortes da montagem são ressaltados ou escondidos - tudo para dar impressão de uma unidade do filme ou vídeo, organizados em planos pela decupagem, gravados em uma sequência específica. E é também o controle da intensidade de volume, reverberação e outros efeitos que fazem a obra ter uma estrutura audiovisual - de acordo com a proposta estética da realização como um todo.

Esse controle não acontece no dia-a-dia. A linguagem audiovisual pede esse controle para que ocorra a imersão do espectador; e também não podemos 'mixar' o mundo.