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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Textura do som

Acabo de voltar da UFSCar, da apresentação do projeto Aquarpa. Não sou muito para falar do projeto, mas resumidamente (de forma bem bruta) são instrumentos construídos, que exploram texturas e sonoridades variadas, junto a uma projeção feita ao vivo.
É interessante como as pessoas divergem quanto à sensações passadas por esse tipo de 'linguagem', música-vídeo. Aquela velha problemática de descrever o som como sóbrio ou alegre é elevada à décima potência. Saindo do evento algumas pessoas disseram que sentiram medo do instrumento inicial, outra se sentiu incomodada, enquanto que interpretei mais como um convite, um som que podia ser o que eu quisesse.

Viagens à parte, lembrei-me de umas frases do Harry Partch, compositor que já abordei no programa Ruído Clássico da Rádio UFSCar:

“O mundo que eu tenho feito por esses anos tem muito em paralelo nas atitudes e ações do homem primitivo. Ele encontrava a mágica sonora nos materiais comuns a sua volta. E ele prosseguiu fazendo o veículo, o instrumento, o mais belo que podia. Por fim, ele envolveu a magia do som e a beleza nas palavras e experiências do cotidiano, nos rituais e no drama, para dar um maior significado em sua vida. Esta é minha trilogia: magia do som, beleza visual, e o ritual-experiência.”

“Música na verdade é uma colagem de sons. A técnica de montagem de cortes rápidos em filmes é traduzida em termos musicais. As súbitas mudanças representam símbolos da natureza do filme, utilizadas para um fim dramático: árvores mortas, troncos, areia caindo, vento assoprando, gaivotas cantando, cobras se cortorcendo, o movimento do campo.”

É interessante como esses momentos citados por Partch podem ser muito sonoros. A sensação sonora proporcionada pela sugestão, vinda da palavra, do som de galhos de árvore ao vento.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

A Peça Radiofônica





Comecei a me interessar por rádio só no ano passado. Acho que não comecei antes principalmente por falta de incentivo e por falta de procurar coisas sobre o assunto. Acho ótimo ter conhecido um pouco mais esse universo, que abre tantas discussões e ideias.

Separei umas frases batutas sobre o assunto, que são pequenas mas dizem muito.

Brecht: "É preciso transformar o rádio, convertê-lo de aparelho de distribuição em aparelho de comunicação. O rádio seria o mais fabuloso meio de comunicação imaginável na vida pública, um fantástico sistema de canalização. Isto é, seria se não somente fosse capaz de emitir, como também de receber; portanto, se conseguisse não apenas se fazer escutar pelo ouvinte, mas também pôr-se em comunicação com ele. A radiodifusão deveria, consequentemente, afastar-se dos que a abastecem e constituir os ouvintes como abastecedores." (isso era na primeira metade do século XX! Tem um texto legal dele sobre o assunto aqui)

Arnheim: “A obra radiofônica, apesar de seu caráter abstrato e oculto, é capaz de criar um mundo próprio com o material sensível de que dispõe, atuando de maneira que não se necessite nenhum tipo de complemento visual”

Klaus Schöning: “A peça radiofônica pode ser muitas coisas. No conceito da peça radiofônica cabem muitos aspectos. A peça radiofônica funde os gêneros tradicionais. Nela se fundem: a literatura, a música, a arte dramática. A peça radiofônica pode ser: a realização acústica de texto e partitura. Mas também: a montagem de materiais acústicos originais (documentários): a literatura de fita magnética. Nela diluem-se: o lírico, o épico, o dramático. Nela fundem-se: fala, ruído, música. A peça radiofônica, como produto artístico autônomo e também desligável do meio de comunicação em que nasceu."

Giuliano Obici: "Fazendo um percurso histórico do papel social do rádio, podem-se assinalar claros momentos de mudança. Num primeiro, sua utilização esteve voltada para fins políticos e educativos; posteriormente, o vínculo com a  indústria fonográfica motivou a  linguagem  radiofônica a se voltar para o entretenimento.  Poderíamos delinear   ainda   um  terceiro  momento,   quando   o   rádio   é utilizado   como   estratégia   de  movimentos   de resistência, como se deu com as rádios piratas e as comunitárias, ou ainda um quarto, com a rede mundial de computadores."

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Imaginary Landscape no. 5

Uma composição-recortes, em que o compositor entrega uma 'obra pronta' pra ser recortada por quem quiser, e tampouco precisa de músicos.


http://www.youtube.com/watch?v=C8b5epOonI8

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Pavilhão da Philips

Poème életronique 1958


http://www.youtube.com/watch?v=QBQsym_G82Q


Querer exibir o potencial dos produtos de uma empresa também pode render bons frutos.

sábado, 17 de abril de 2010

Som/Música - o significado lúdico da escuta

Como um violino é musical?
Como a paisagem sonora à nossa volta não pode ser?
O que caracteriza uma orquestra?
Por que uma banheira, uma panela de pressão, um patinho e borracha e uns cinco rádios não são uma orquestra?
O que define que um som tenha altura definida? O que é altura definida, sendo um objeto sonoro (considerado usualmente como não musical) capaz de reproduzir uma frequência principal de 1.286Hz?
Uma música feita somente com frequências puras é música?


Uma nova compreensão sonora da escuta veio à tona. Ainda não foi absorvida.
Uma música é feita pra ser agradável? Ou pode ser feita para evocar uma contestação ou pensamento? Ou até mesmo para quebrar alguma fronteira? Daí ela deixa de ser música?
A procura da aura do compositor e a afirmação de que não apreciamos a música corretamente são ideias conservadoras?
Por que temos que ter fórmulas matemáticas na música para que ela se torne especial a um ouvinte?

Performance e reprodução. Situação de escuta. Evento sonoro.
Audição como experiência cultural.
Isso é música para meus ouvidos.

Quando ficamos adultos esquecemos do aspecto lúdico de um helicóptero sobrevoando ou de um grilo cantando?


... será que havia crise do pensamento há 300 anos atrás?